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Entrevistas

Entrevista: Bullying, uma violência dentro das escolas

O bullyng é um fenômeno de nossos dias que requer atenção dos pais e educadores. A gravidade e a regularidade destes episódios exigem uma atenção e reflexão contínuas, sabe-se que a ocorrência de situações de bullying é bem superior ao número de casos que são relatados.


Uma das características do fenômeno, nas suas diferentes formas, incluindo o emergente cyberbullying, é justamente o medo e a ameaça de represálias a vítimas e assistentes que, evidentemente, inibem a queixa pelo que ainda mais se justifica a atenção proativa e preventiva de adultos, pais, professores ou funcionários.


Apesar de sempre ter estado presente nas escolas, o bullying tem ganhado a cada dia repercussão na mídia, o que tem provocado ampla discussão em ambientes escolares. Atitudes intencionais e repetidas com apelidos e até agressão física entre pessoas caracterizam o bullying. Nas escolas, o maior desafio tem sido como identificar esse ataque entre os alunos e como lidar com esse agravo que traz angústia, depressão e pode causar sérios problemas no decorrer da vida das vítimas.

Para entendermos mais sobre este assunto, o Jornal Gazeta em Foco entrevistou a assistente social, Giselle Alberti, do centro de referencia assistência social de Itararé, confira:

Explique–nos o que é o bullying.
Bullying é uma palavra de origem inglesa e sem tradução no Brasil. É utilizada para qualificar comportamentos violentos de origem física ou psicológica como: agressões, assédios e ações de desrespeitosas, todos realizados de maneira recorrente e intencional por parte dos agressores para com uma ou mais vítimas que se encontram impossibilitadas de se defender.

Vale lembrar que há distinção entre as brincadeiras naturais e saudáveis, típicas da vida estudantil, daqueles que ganham requintes de crueldade e extrapolam todos os limites de respeito pelo outro. As brincadeiras normais e sadias são aquelas nas quais todos os participantes se divertem, enquanto que as não sadias alguns se divertem à custa de outros que sofrem.

Hoje em dia acontecem mais casos de bullying do que antes?
O bullying sempre existiu. Anteriormente, as pessoas acabavam se ajustando ou se defendendo quando as pessoas as intimidavam, a cultura era mais rígida em certos aspectos em relação a hierarquia etc. Hoje em dia, embora se discuta muito sobre o assunto, a violência crescera em grande escala. A situação de quem está sendo acuado, se torna mais gritante, quando alguém toma uma atitude mais violenta, ao que se está passando. E ocorre em todas as classes sociais.

Em qual idade escolar costumam acontecer mais casos?
Há casos de crianças com 5, 6 anos de idade, ou seja, início da vida escolar, propriamente dita. Mas é na pré-adolescência e adolescência, ou seja por volta dos 10 à 15 anos, que os casos são mais gritantes, pelas atitudes de violência.

Qual é o perfil da criança e adolescente que sofre bullying?
As vítimas típicas são alunos que apresentam dificuldade de socialização, em geral são pessoas tímidas, tem dificuldade em reagir a provocações e agressões direcionadas a elas; são mais frágeis fisicamente ou apresentam alguma “marca” que as destaca (magras, gordinhas, altas, baixinhas, etc). Enfim qualquer coisa que fuja ao padrão imposto por um grupo pode deflagrar o ato, e os motivos são os mais banais possíveis.

Que tipo de atos agressivos são praticados?
Agressões do tipo verbal – insultar, xingar, fazer gozações, ofender, apelidos pejorativos.

Agressões do tipo físico e material – bater, chutar, espancar, ferir, beliscar, roubar pertences da vítima, atirar objetos contra a vítima.

Agressões do tipo psicológico e moral – irritar, humilhar, ridicularizar, excluir ou isolar, ignorar, desprezar, difamar, discriminar, tiranizar, passar bilhetes e desenhos entre os colegas de cunho ofensivo, fazer intrigas ou fofocas.

Agressões do tipo sexual – abusar, violentar, assediar, insinuar.

Agressões do tipo virtual – Ciberbullying – calúnia, difamação com montagens de fotos e vídeos, expondo a intimidade das vítimas imoralmente, etc.

Meninos e meninas praticam e lidam com o bullying de maneiras diferentes?
As meninas que praticam o bullying, normalmente o fazem verbalmente e os meninos fisicamente, ou seja, os meninos mais agressivos.

Quanto ao lidarem com a situação, ambos os sexos, sendo as vítimas, tem dificuldades por estarem totalmente fragilizadas.

Como suspeitar que uma criança ou adolescente esteja sofrendo bullying na escola?
Durante o recreio, frequentemente permanecem isoladas do grupo e perto de algum adulto que possa protegê-la; na sala de aula não expõe sua opinião, é retraída, apresentada insegurança e ansiedade diante das atividades; apresentam faltas freqüentes; comumente estão tristes, aflitas; nos jogos sempre são as ultimas a serem escolhidas; nos casos de agressões físicas, estão sempre arranhadas, ou com algum ferimento ou hematoma, ou mesmo roupas rasgadas.

Que tipo de danos pode causar o bullying?
Há vários sintomas psicossomáticos que as vítimas tendem a apresentar, como: cefaleia, cansaço exacerbado, insônia, dificuldades de concentração, náusea, diarreia, palpitações, alergias, sudorese, tonturas, entre outros.

Acredito ser importante dizer que estes sintomas, podem se estender para doenças mais graves como: transtorno do pânico, fobia escolar, fobia social, transtorno de ansiedade, depressão, transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno do estresse pós-traumático, anorexia e bulimia; e menos frequentes, mas tão graves quanto, a esquizofrenia, o suicídio e homicídio.

O que os pais devem fazer ao saber que seu filho é vítima de bullying?
A princípio os pais tomarem ciência da situação junto a escola, depois de corroborada a situação procurar ajuda de um orientador ou algum(a) psicrólogo que possa ajudar a vítima. Devemos lembrar que tanto a vítima quanto o agressor precisam de um tratamento psicoterápico para que resolvam seus problemas familiares e aprendam a lidar com a agressividade, e precisam de uma aceitação do grupo também, e o grupo tem que saber que pode falar, que pode estar a vontade e que não vai ser vítima.

A escola deve fazer trabalhos preventivos, para que desde pequenos, as crianças aprendam a lidar com a diversidade. Os pais devem lembrar de que a submissão da criança, por medo e não por respeito, a torna frágil em tudo que faz, trazendo insegurança. Devem se policiar no seu tratamento para com seu filho, por vezes coercivo e violento.

O que fazer quando o próprio filho é o agressor?
A mesma situação, ou seja, envolver escola, pais e agressor, num trabalho em conjunto.

Que medidas as escolas podem tomar para evitar esse tipo de comportamento?
A prevenção é a melhor opção, sempre. Trabalhar desde a mais tenra idade, as diferenças, a amizade, o amor e respeito para com o próximo. Envolver a família nas atividades com seus filhos, dentro da escola.

O bullying é um fenômeno que só ocorre nas escolas?
Não. As ameaças psicológicas, agressões físicas, assédios, etc, também podem ocorrer no ambiente doméstico e em ambientes de trabalho

Mas alguma coisa a dizer?
Uma das características de hoje, é a falta de tempo, tanto de pais quanto dos filhos. Os pais em prol de gerar recursos para manterem seus filhos em estudos e confortos e os filhos voltados às suas atividades, visando o tão competitivo mercado de trabalho.

Diante desse prisma as relações familiares passam por grandes transformações, e o efeito mais evidente é o distanciamento entre pais e filhos. Logo, é imprescindível que os pais encontrem tempo para uma boa convivência com seus filhos.

Um diálogo permanente, esclarecendo dúvidas, angústias, medos, expectativas, o tornará mais autoconfiante e seguro, preparando-o para a vida adulta. Somente assim, quando vitimizados, conseguirão romper o silêncio que alimenta o bullying e denunciarão os agressores.

Depoimentos de jovens que sofreram bullying, o nome foi alterado para preservar a identidade da pessoa.

“O meu bullying foi com o professor da 7ª serie. Ele me chamou de burro na frente de todo mundo. Mas não foi só uma vez. Mais e mais vezes me chamou de “Sem Noção”. Isso ninguém queria escutar de nenhum professor”, afirma Antônio.

“Eu já sofri muito bullying na minha vida. Na escola, na rua e por todo o canto que passava. Quando eu ia pra escola tinham uns meninos que me chamavam de “macaco”, me desprezavam por minha cor. E isso me irritava tanto que eu chegava até bater neles. Na rua os meus colegas ficavam me chamando de “frango”, de feio, de otário, pensando que eu era besta. Mas de besta eu não tinha nada. É por isso quando os boys tentam tirar onda comigo eu baixo o pau neles. Apesar de que isso não me satisfazia… Era mais no momento da raiva. Mas eu vou fazer o que? Tenho que impor respeito. Eu peço a todas essas pessoas que deixem disso pois isso não leva ninguém a nada”, Lucas.

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