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Entrevistas

Alcoolismo na adolescência: um alerta para os pais

O alcoolismo nunca foi um problema exclusivo dos adultos; ele pode também acometer os adolescentes. Atualmente, em Itaporanga, causa preocupação o fato de os jovens começarem a beber cada vez mais cedo. A pior parte desta situação é saber que, certamente, parte destes jovens irá conviver com a dependência do álcool no futuro.

Para essa reviravolta em relação ao uso de álcool entre os adolescentes, que ocorreu bruscamente de uma geração para outra, contribuíram diversos fatores preocupantes. O primeiro é que o consumo de bebida alcoólica é aceito e até estimulado pela sociedade. Pais que entram em pânico quando descobrem que o filho ou a filha fumou maconha ou tomou um comprimido de ecstasy em uma festa acham normal que eles bebam porque, afinal, todos bebem.

De acordo com Estatuto da Criança e Adolescente, a adolescência é um período que acontece dos 12 aos 18 anos, conhecida como uma fase marcada por inúmeros questionamentos, alterações hormonais e inquietações emocionais. É uma fase em que os indivíduos enfrentam decisões sociais e psicológicas para toda a vida. Diante desses conflitos muitas vezes apresentam comportamentos extremos, imediatistas e opositores, momentos em que podem iniciar o consumo de bebidas alcoólicas.

Sergio Ribeiro, 28, do Setor P SUL, comenta que deu o primeiro gole em uma bebida alcoólica aos 13 anos. O pai deixou que ele experimentasse um pouco de cerveja durante um churrasco na casa de parentes. Aos 16, ele já conhecia os efeitos de um “porre”. E, aos 18, o estudante acumulava histórias e vexames por conta do excesso de bebida. Desde uma briga com a namorada – ele foi colocado para fora da festa por um segurança – até um striptease no balcão de um bar. Mas, para os pais, o garoto é um santo. “Na frente deles, em festas de família, eu só bebo moderadamente. Na vida real, para ser descolado, todo mundo tem que beber”, diz o garoto.

Além do fato de ser ilegal, o uso de bebidas alcoólicas por menores de idade oferece alto risco tanto para o indivíduo quanto para a sociedade. Por exemplo, as taxas de acidentes de trânsito que envolvem o uso de álcool são maiores entre jovens de 16 a 20 anos do que entre os motoristas de 21 anos ou mais. Os adolescentes também são vulneráveis aos danos cerebrais causados pelo etanol, os quais podem contribuir para o fraco desempenho no trabalho ou escola.

ENTREVISTA

O Portal 15 News entrou em contato com a Psicóloga Especialista em Psicoterapia Psicanalítica Ana Paula Leme dos Santos, que descreveu algumas das graves consequências pelo uso de álcool em menores de idade, assim como abordagens de prevenção e de tratamento que podem ser aplicadas com sucesso nesta faixa etária específica, e respondeu algumas perguntas relacionadas ao uso de bebidas alcoólicas.

É importante ressaltar que apenas proibir que os adolescentes bebam não é suficiente. É preciso conversar com eles, expor a preocupação com sua saúde e segurança e deixar claro que não há acordo possível quanto ao uso e abuso do álcool, dentro ou fora de casa.

Ao que você atribui a tendência ao alcoolismo ter-se tornado mais acentuada na adolescência?
O consumo exacerbado de álcool na adolescência pode ter origem em diversos fatores, sendo importante considerar que essa é uma fase que o indivíduo busca pertencer a grupos, momento esse em que o consumo de bebida alcoólica pode surgir como um facilitador da interação e socialização, facilitando a aceitação em grupos de amigos. As propagandas e incentivos ao consumo através da mídia e redes sociais também se tornam um fator relevante, considerando que atualmente existem produtos desenvolvidos especialmente para esse público, as bebidas consideradas “fraquinhas” e com baixo teor alcoólico, iniciando assim sutilmente o consumo do álcool.

O custo da bebida alcoólica também tem papel importante no alcoolismo?
Com certeza, o baixo custo é um dos fatores que facilitam o acesso e consumo de bebidas alcoólicas pelos adolescentes. Porém não é o único fator, pois também se percebe que as fiscalizações nem sempre atuam para erradicar as vendas e punir estabelecimentos ou pessoas que fornecem bebidas aos menores de 18 anos.

Como você acha que os pais devem agir quando o adolescente insiste nesse ponto?
Considero importante que os pais desde sempre conversem e orientem seus filhos quanto aos riscos apresentados pelo consumo de bebida alcoólica, inclusive alertando que o não poder consumir nessa idade não se trata apenas de um desejo dos pais, e sim que a ilegalidade de consumo de álcool por adolescentes é previsto por Lei. Segundo o Estatuto da Criança e Adolescente, é proibido oferecer aos menores de 18 anos qualquer tipo de substância que tenha efeitos cerebrais.

Se os pais oferecem bebida alcoólica para seus filhos adolescentes, eles estão infringindo a Lei.

Na verdade, o álcool é toxico em qualquer dose?
Sim, o álcool é toxico em qualquer dose e faixa etária. O que varia de acordo com as doses são as intensidades dos efeitos tóxicos. Quanto maior o consumo, maior os danos para a saúde física e psicológica. O alcoolismo pode acarretar sérios danos biológicos e mentais, podendo causar a síndrome de dependência do álcool e até mesmo a morte.

Existe diferença entre os efeitos metabólicos do álcool no corpo das meninas e dos meninos?
Do ponto de vista da medicina, a diferença consiste no fato de que a mulher tem um padrão de absorção do álcool mais rápido, por possuir na composição do seu corpo mais gordura e menos água. Sendo assim, afirmam que a concentração alcoólica no sangue das mulheres é maior, aumentando os danos que a bebida produz em seu corpo, podendo ser devastador.

O que você chama de alcoolismo?
Alcoolismo é a dependência do individuo ao álcool, considerada doença pela Organização Mundial da Saúde. O uso constante e descontrolado de bebida alcoólica pode comprometer o funcionamento saudável do organismo, levando a consequências irreversíveis.

Quais são os sintomas do alcoolismo?
A síndrome de dependência do álcool, conhecida como alcoolismo, pode apresentar os seguintes sintomas: compulsão ou desejo incontrolável de beber, dificuldade de controlar o consumo, sintomas como abstinência física quando para de beber, tolerância através da necessidade de doses maiores de álcool para atingir o mesmo efeito, dentre outros.

Existem fatores de risco para o alcoolismo na adolescência?
Sim, os fatores de risco podem ser de curto, médio e longo prazo. As consequências físicas são inúmeras, dentre elas destaca-se queixas gastrointestinais, neuromusculares, cardiovasculares e sexuais. Já as consequências mentais apontam para o desenvolvimento de transtornos mentais, como a depressão, abstinência, demência e psicose.

O adolescente que bebe está mais propenso a usar outras drogas?
Sim, sem duvidas. Quando alcoolizados esses adolescentes tendem a ficar fragilizados e vulneráveis à ingestão de outras substâncias e propensos a comportamentos de risco.

Onde buscar ajuda?
Reconhecer que precisa de ajuda para um problema com o álcool não é fácil, porém é um passo importante para o tratamento. Quanto antes a decisão de pedir ajuda, melhores são as chances de recuperação.

Orienta-se a buscar ajuda de profissionais da saúde, inclusive do médico, pois é esse que vai avaliar o grau da dependência do indivíduo e o melhor tratamento indicado. O envolvimento e apoio da família são essenciais para a recuperação.

Ana Paula é Psicóloga, especialista em Psicoterapia Psicanalítica e Especializanda em Psicanálise com Crianças e Adolescentes.
CRP: 06/124720

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